Não sei o que aconteceu.

Algumas pessoas entram na nossa vida e se tornam uma parte importante dela. Podem mudar completamente nosso entendimento sobre nós mesmos, podem trazer luz a uma vida que parecia ser completa escuridão. Quando isso acontece, só resta agradecer. Agradecer porque não nos sentimos mais uma mera existência, mas sim energia, vida, potência. Quando nos deparamos com algo assim, a constatação é automática: “estou diante de alguém especial”.

E, toda semana, aquela inquietação se instala. Que o dia chegue logo, que chegue logo. Que eu seja iluminada pela luz calorosa do acolhimento, da escuta e da empatia. Que eu me sinta segura logo, que eu me sinta eu de novo. Que eu ganhe mais um aperto de mão no início e mais um abraço no fim. Que eu, a cada segundo, me sinta mais à vontade para questionar e relatar, para sentir com olhos que, mesmo sem fitar, se emocionam. Um forte laço de confiança e carinho se fortalece a cada um desses momentos. Os singelos rabiscos exprimem: “me sinto bem por estar diante de ti. Obrigada por tudo”.

Mas, agora, não sei o que aconteceu. O perigo está lá fora, e estamos, cada um, em seu aqui dentro. Não posso mais receber a calorosa luz que me faz dar o próximo passo todos os dias, a saber evitar a sombra durante a minha eterna caminhada, ou, ao menos, resistir a ela quando o Sol vai embora. O meu aqui dentro é solitário, confuso e conturbado. Uma medida emergencial se torna a exceção necessária. Se não posso estar diante de ti, preciso estar diante de alguém. Mesmo que não seja aquela mesma luz, aquele mesmo acolhimento. Mesmo que não possa ser, no momento, em especial companhia. Mesmo que vá durar apenas enquanto o meu aqui dentro for meu único aqui. O que eu queria mesmo é que nada disso fosse real.

Não sei o que aconteceu. Tudo estava bem. O meu aqui não me separava de ti, pois a nossa troca me iluminava tão fortemente que não se limitava ao espaço. O acolhimento era tão forte assim. Era. Era? Não sei o que aconteceu. Tudo pareceu mudar de repente. Só consigo sentir falta de quando estava aqui para mim, de quando a luz era visível e me aquecia de tal forma que eu pensava: “estou diante de alguém especial”. Eu não queria estar diante de nenhuma outra luz que não a sua. Nenhuma outra seria capaz de me iluminar tão fortemente. Agora está escuro. Não enxergo nada. Queria te enxergar, queria que me enxergasse. Por favor, não me deixe. Não sei o que aconteceu, mas queria que nunca tivesse acontecido.

PARA CONHECER COMUNIDADES SURDAS: APONTAMENTOS INICIAIS SOBRE CULTURAS, DIREITOS E DEMANDAS SOCIAIS

Descrição de imagem: uma mão forma a letra L. Ao lado, as letras “ibras”, formando a palavra “Libras”.

Oi, pessoal! Quanto tempo! Hoje estou trazendo um texto sobre a comunidade surda, produzido pelo meu grande amigo, que conheci na faculdade, João Paulo. Não é um assunto referente à neurodiversidade ou autismo, mas também é importante no que tange a inclusão. Pedi para o João escrever esse texto justamente porque ele é um pesquisador na área de Linguística voltada para Libras, além de estar inserido na comunidade surda e escolher para si essa causa. Espero que gostem!

Por João Paulo da Silva Nascimento, professor aperfeiçoado em Atendimento Educacional Especializado (Faculdade Metropolitana do Estado de São Paulo/2019) e pesquisador do Núcleo de Estudos sobre Interlíngua e Surdez da Universidade Federal do Rio de Janeiro – NEIS-UFRJ. Contato: jpn0401@gmail.com. Currículo: http://lattes.cnpq.br/0302551946472994.

Olá! Em primeiro lugar, gostaria de agradecer à Alice, minha querida amiga e a incrível menina neurodiversa, por ter me convidado para falar um pouquinho sobre a comunidade surda, sua cultura, seus direitos e suas demandas socioeducacionais – assunto de que tanto gosto! Obrigado pela confiança!

Bem, como começar a abordar um assunto tão amplo sem deixar de lado nenhum detalhe que seja importante à compreensão estimada? Não se trata mesmo de uma tarefa fácil, mas acredito que definir a surdez por uma perspectiva cultural seja de fato o melhor caminho! Comecemos, então, por um exercício indispensável para entendermos a causa da comunidade surda: imagine se, durante muito tempo da história, você e seus pares fossem considerados pessoas impossibilitadas de usufruirem justamente da característica que distingue os seres humanos de outros animais – a comunicação? Estranho, não é mesmo? Dá aquela sensação de que seríamos então considerados como “não-pessoas” e, portanto, inferiores à condição natural. Infelizmente, essa visão tão limitadora esteve – e, por vezes, está – presente na vida de pessoas surdas graças à visão patológica sobre a surdez, a qual reduz o indivíduo surdo à condição de incapaz e foi a responsável, dentre muitos danos, pela proibição do uso das línguas de sinais e pela compulsória forçagem à oralização em um dado recorte da história dos povos surdos.

Então, você deve estar se perguntando, se a comunidade surda não deve ser tratada como incapaz, como devemos tratá-la? A resposta é simples, além de inclusiva e mais justa: as comunidades surdas são, antes de tudo, grupos étnico-linguísticos detentores de culturas próprias e variadas, de língua (no caso de surdos brasileiros, a Língua Brasileira de Sinais – Libras) e experiências próprias. Segundo Oliver Sacks, um importante sociólogo que se dedicou aos Estudos Surdos em seu livro “Vendo vozes: uma viagem ao mundo dos surdos”, publicado em 1989, “ser surdo, nascer surdo, coloca a pessoa numa situação extraordinária; expõe o indivíduo a uma série de possibilidades linguísticas e, portanto, a uma série de possibilidades intelectuais e culturais que nós, outros, como falantes nativos num mundo de falantes, não podemos sequer imaginar”. Curioso, não é? Mas, ao mesmo tempo, instigante para entendermos uma maneira de ser e de estar no mundo distinta, sobretudo, pela experiência comunicativa, pela linguagem e pela percepção do mundo!

Defender uma visão cultural para as comunidades surdas não é pouca coisa! Na verdade, trata-se de uma necessidade constante, uma vez que a difusão de visões patológicas são responsáveis pela legitimação equivocada de estereótipos sobre pessoas surdas, os quais veiculam concepções capacitistas e limitadoras sobre a vida, as relações e o processo de ensino-aprendizagem de surdos. No Brasil, por exemplo, apesar de muitos desafios, a comunidade surda já dispõe de políticas inclusivas que auxiliam a manutenção de um novo olhar para a surdez, principalmente no campo educacional. São alguns exemplos: a lei n° 10.436/02 (também conhecida como “lei de Libras”), o decreto n° 5.626/05 (responsável por regulamentar a lei de Libras e por definir algumas recomendações para o ensino de surdos em uma perspectiva bilíngue) e a lei n° 12.319/10 (que regulamenta a profissão de tradutores-intérpretes de Libras, afirmando a obrigatoriedade desse direito).

Essas políticas asseguram – ao menos legalmente – determinados direitos da comunidade surda brasileira, tais como a obrigatoriedade de tradutores-intérpretes de Libras, a língua natural (e não linguagem!) de surdos defendida politicamente, em diferentes contextos de interação social. Entretanto, bem sabemos que a realidade ainda se mostra um tanto quanto distante de condições ideais para a inclusão de pessoas surdas, seja em situação educacional, seja em situações mais amplas. Por exemplo, imagine viver em um mundo em que cinemas, museus, teatros e até mesmo a TV não utilizam sua língua; imagine se sentir, por falta da efetivação prática das políticas inclusivas, estrangeiro em seu próprio país, dentro de sua própria casa, instituições de ensino e nas situações cotidianas mais banais. Decerto, não deve ser fácil e mesmo nós, ouvintes que lutamos em prol das causas da comunidade surda, não podemos mensurar precisamente, pois essas são experiências em um nível mais profundo da condição humana.

Por isso, compreender a condição surda como uma condição cultural torna-se imprescindível para a construção de uma luta social inclusiva, a fim de que os muros de silêncio entre as comunidades ouvintes e as comunidades surdas plurais se desconstruam pouco a pouco. Daí o zelo por causas como: (a) a obrigatoriedade do ensino de Libras nas escolas brasileira de educação básica; (b) o reconhecimento do uso e da difusão da Libras; (c) o investimento na formação de professores bilíngues em Libras e na formação de professores especialistas em ensino de português como segunda língua para surdos; (d) valorização dos artefatos culturais surdos, tais como literatura, artes plásticas e performances; (e) presença das janelas de tradutores-intérpretes de Libras nas programações totais de TV e de outros espaços culturais, bem como a presença desses profissionais em número satisfatório em instituições de ensino públicas e privadas, etc.

É claro que essa matéria, apesar de escrita com muito carinho e gratidão, não é suficiente para o tratamento desse tema tão complexo. E o que esperamos, na verdade, é justamente despertar a curiosidade dos leitores queridos do blog A Menina Neurodiversa sobre o tema da surdez, para que possamos juntos construir estratégias de inclusão da comunidade surda! Então, ficamos na expectativa de que gostem e de que possam utilizar esse texto como ponto de partida para novas pesquisas. Também coloco-me à disposição para elucidar quaisquer dúvidas e conversar mais sobre o tema por meio de meu e-mail e de minhas contas pessoais! Aproveito para divulgar também algumas ações do Instituto Nacional de Educação de Surdos, órgão de referência nacional na área de surdez, as quais podem ser consultadas no endereço eletrônico: http://www.ines.gov.br/ .

Mais uma vez, muito obrigado pela oportunidade!

Até a próxima, pessoal!

João Paulo.

Diagnóstico de autismo vai mudar a partir de 2022. Entenda.

Descrição de imagem: médica sentada no consultório de frente para uma criança, que também está sentada e olha para baixo. A médica segura as mãos da criança.

No Brasil, atualmente, utilizamos o CID-10 para categorizar as diferentes condições médicas. CID significa Código Internacional da Doença, mas não se deixe enganar pelo nome. Mesmo condições que não caracterizam doenças, como a gravidez e o próprio autismo, fazem parte desse manual diagnóstico. Desde 1989, quando foi aprovado o CID-10, o autismo foi catalogado dentro de um grupo mais abrangente denominado Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGDs). Dele faziam parte condições como Autismo Infantil, Síndrome de Asperger, Síndrome de Rett e Autismo Atípico. O que ocorre é que uma nova versão do CID foi lançada em 18 de Junho de 2018: o CID-11. Essa atualização passará a valer a partir de Janeiro de 2022. Dessa forma, hoje vamos entender melhor sobre o que vai mudar no diagnóstico de autismo a partir dessa data.

É sabido que, desde 2013, em países que não utilizam o CID, mas sim o DSM (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), como os EUA, todos os subtipos de autismo já são caracterizados em um único diagnóstico: TEA (Transtorno do Espectro Autista). Essa mudança ainda não chegou ao Brasil. O manual que usamos ainda não reconhece essa nova categoria. Em sua última versão, o DSM-5 já engloba todas as manifestações de autismo dentro do TEA, dividindo-o em três graus: leve, moderado e severo. A diferença entre cada um deles baseia-se na necessidade de apoio que o indivíduo necessita em sua vida diária. Em contrapartida, o nosso CID-10 ainda divide os TGDs entre as seguintes nomenclaturas e seus respectivos códigos: Autismo Infantil (F84.0), Autismo Atípico (F84.1), Síndrome de Rett (F84.2), Outro Transtorno Desintegrativo da Infância (F84.3), Transtorno com Hipercinesia Associada a Retardo Mental e a Movimentos Estereotipados (F84.4), Síndrome de Asperger (F84.5), Outros Transtornos Globais do Desenvolvimento (F84.8) e Transtornos Globais Não Especificados do Desenvolvimento (F84.9). A partir de 2022, nem os nomes nem os códigos serão mais os mesmos. Veja abaixo a mudança que ocorrerá:

Descrição de imagem: do lado esquerdo, CID-10 e, abaixo disso, os nomes de diagnósticos e seus códigos (F84 – Transtornos Globais do Desenvolvimento, F84.0 Autismo Infantil, F84.1, Autismo Atípico, F84.2 Síndrome de Rett, F84.3 Outro Transtorno Desintegrativo da Infância, F84.4 Transtorno com Hipercinesia Associada a Retardo Mental e a Movimentos Estereotipados, F84.5 Síndrome de Asperger, F84.8 Outros Transtornos Globais do Desenvolvimento, F84.9 Transtornos Globais Não Especificados do Desenvolvimento). Uma seta vai desse conjunto até o conjunto do lado direito, no qual, em cima, está escrito CID-11. Em baixo de CID-11: 6A02 TEA sem DI e com leve ou nenhum prejuízo de linguagem funcional. 6A02.1 TEA com DI e com leve ou nenhum prejuízo de linguagem funcional, 6A02.2 TEA sem DI e com prejuízo de linguagem funcional, 6A02.3 TEA com DI e com prejuízo de linguagem funcional, 6A02.4 TEA sem DI e com ausência de linguagem funcional, 6A02.5 TEA com DI e com ausência de linguagem funcional, 6A02.Y Outro Transtorno do espectro do autismo especificado, 6A02.Z Transtorno do espectro do autismo, não especificado. Embaixo dos dois conjuntos: Autismo Classificação, o símbolo da página Asperger e Autismo no Brasil e as legendas TEA Transtorno do Espectro do Autismo e DI Deficiência Intelectual.

Como podem ver, no CID-11, o diagnóstico será feito a partir da linguagem funcional e se há ou não Deficiência Intelectual associada. Desse modo, o que hoje é conhecido como Síndrome de Asperger, com o código F84.5, passará a ser TEA sem DI e com leve ou nenhum prejuízo de linguagem funcional, com o código 6A02.0, por exemplo. Todas as manifestações de autismo serão oficialmente chamades de Trantorno do Espectro do Autismo.

Muitos autistas consideram essa mudança extremamente benéfica e necessária para a comunidade. Isso porque, quando se tem o diagnóstico de Asperger, por exemplo, muitos direitos são negados sob a alegação de que não é autismo, ou que a pessoa não é autista o suficiente para precisar de certos direitos. Isso, felizmente, irá mudar em breve. Seremos todos devidamente reconhecidos como autistas. Há, ainda, os que veem a nova classificação do CID-11 como superior à do DSM-5, pois a divisão em graus de autismo pode dar a entender que o autista leve é pouco autista, o moderado é mais ou menos autista, e que o autista severo é muito autista. A partir dessa visão, os leves não teriam suas dificuldades reconhecidas, ao passo que os severos não teriam suas habilidades reconhecidas, pois só seriam vistos os pontos de dificuldade. Poucos são os que entendem os graus simplesmente como uma variação da necessidade de apoio, o que se mostra problemático.

Em suma, podemos afirmar que, com essa mudança que está por vir, ninguém mais poderá ser diagnosticado oficialmente com Síndrome de Asperger ou Autismo Atípico, por exemplo. Todos os autistas estarão dentro do TEA, assim como já ocorre nos países que utilizam o DSM-5 para o diagnóstico de condições mentais. Essa mudança se mostra positiva, uma vez que busca se atualizar e tornar o diagnóstico de autismo menos confuso e discrepante entre os diferentes profissionais de saúde mental.

E você? O que achou da mudança? Deixe sua opinião nos comentários! Não esqueça de curtir nossa página no Facebook: A Menina Neurodiversa e nos seguir no Instagram: @a_menina_neurodiversa. Até a próxima e tchau tchau!

A dor da solidão: um pedido de socorro

Quero falar sobre a dor que se sente e não se pode ver. Trancada no meu quarto escuro, a solidão me consome. Às vezes, só falta um abraço e alguém para ouvir. Até isso a solidão extingue. Até quando não estou sozinha, me sinto solitária. Tento me distrair, mas a ansiedade me domina. Nem produtividade, nem diversão. Só o tédio da solidão. O tédio de não conseguir concentrar-se em nada. O medo do dia de amanhã. De todo o barulho que vou enfrentar. A espera na fila, que me leva aos prantos. O ônibus que me faz querer gritar. Me faz querer fugir. Não me deixa nem pensar. Chegar em casa e ir trancar-se no quarto. Mais um dia desprovido de cor. Mais um dia cheio de dor. “Não preciso de cura”, diz a menina. Mas acho que hoje eu preciso sim. Queria experimentar o que é não chorar todos os dias porque se tem medo do amanhã. Do que pode mudar sem aviso. A quinta-feira que não chega nunca. A meia hora que passa tão rápido. As palavras que não conseguem ser ditas. Os sentimentos que não se reconhecem. O verbal não-comunicativo. O comunicativo solitário. A saudade de quando tudo era brincadeira, e a dor era só a do joelho ralado. A dor adulta que é só mais uma na multidão. Só de crianças se cuida. Enquanto o adulto definha nas lágrimas da solidão, que me faz tão sozinha.

Sobre a dor: de mim para mim

Tem vezes que a tristeza é tanta, mas tanta, que a vontade é de sumir para sempre. Tem vezes que a mente está tão perturbada que a própria existência causa dor. Uma dor que é invisível, que apenas transparece nas lágrimas e nas gotas de sangue. Às vezes, gritar não é o suficiente, pois ninguém vai ouvir. Tem momentos em que o desespero ultrapassa a razão. Não existe razão para quem se sente sozinho num infinito de medo e dor. O medo é desesperador, e a solidão também. A falta de esperança é avassaladora. A sensação de impotência em meio a tanto desespero causa pensamentos ruins. Só resta chorar e gritar para o nada, porque ninguém vai vir me resgatar. Não se pode relaxar quando a dor é iminente. Ela pode vir a qualquer momento. Não se pode deixar a ilusão de felicidade enganar por uns instantes. Isso é viver na mentira. Não há como confiar nos próprios pensamentos, pois eles vão me trair. Fecha a boca! Cale-se! Sua voz não importa aqui! Ou consente ou cala essa boca! Vou te dizer como deve pensar! Nada do que viveu até aqui é válido! São cinco sentidos imprestáveis. Tem dias que a dor é tanta que ultrapassa o pensamento. Ela vai parar na epiderme, quem sabe na derme também. Ou no sistema sanguíneo. O que se sabe é que ela sempre chega ao coração. Órgão esse que pulsa desesperançoso, torcendo para tudo acabar logo. E quando acabar, que comece tudo de novo.

Agradecimento às profissionais de saúde mental que tanto me ajudam

Descrição de imagem: Em um fundo de universo em tons de azul, o símbolo da medicina com a palavra “psiquiatria” e o símbolo da psicologia com a palavra “psicologia”

Andei passando por tempos difíceis ultimamente. Muito sombrios mesmo. Recaídas acontecem, e a última foi bem perigosa. Não gosto de falar sobre isso, mas é a realidade. Nessas horas, é sempre bom pensar naqueles profissionais que me ajudam. O título desta matéria ia ser “agradecimento aos profissionais de saúde mental que tanto me ajudam”, mas precisei mudar. Isso porque minha ajuda vem de duas mulheres. Duas mulheres altamente profissionais, providas de muita empatia e amor pelo que fazem. O que seria de mim sem esses serviços tão bem prestados? Precisei me ausentar um pouco deste espaço, mas, agora que voltei, quero apenas agradecer a essas duas, assim como ao sistema público de saúde, tão desvalorizado.

Muito obrigada à minha médica, srta. Mª C., por ser tão atenciosa e paciente comigo, que não consigo falar nas consultas. Obrigada por ler meu caderninho tão cheio de palavras e dos mais diversos detalhes do meu dia-a-dia. Obrigada por prescrever a medicação que me ajuda a dormir melhor e a ser menos ansiosa. Sou muito grata por isso. Muito obrigada pelos abraços carinhosos que me dá e por ser tão amável e humana, sem me tratar como um pedaço de carne. Eu espero do fundo do meu coração que tenha muito sucesso, paz e felicidade. Todos os desenhos que fiz e as conchinhas da praia e os itens da minha coleção que lhe dei foram de coração. ❤

Muito obrigada à minha psicóloga, sra. M., por ser a melhor psicóloga do (meu) mundo e por me dar um diagnóstico quando eu estava perdendo as esperanças de descobrir o que eu tinha, depois de anos e anos mudando de profissionais. Obrigada pelos apertos de mão e pelo profissionalismo de dar inveja nos recém-formados. Muito obrigada pelo serviço extremamente bem feito e pelo acolhimento. Muito obrigada pelo abraço, que deixou meu dia extremamente mais feliz. Voltei para casa com um belo sorriso no rosto. Obrigada por ser atenciosa, paciente e por comentar no meu site e apoiar meu projeto. Desejo que tenha muita felicidade, paz e realização. Todos os desenhos e bilhetes que fiz foram sinceros. ❤

Muito obrigada ao SUS por me possibilitar atendimento psiquiátrico e psicológico gratuito depois de tantos problemas com plano de saúde e falta de dinheiro. Muito obrigada por ser público e gratuito. ❤

Acho que é isso. Eu só queria demonstrar gratidão, pois sou mesmo muito grata. De verdade. Minha saúde mental não seria a mesma sem esses serviços maravilhosos. Por isso, obrigada a todos os envolvidos! ❤

Conheça Carly Fleischmann, uma autista não-verbal que encontrou sua própria voz.

Descrição de imagem: Carly Fleischmann no centro da imagem, vestindo uma roupa bege e olhando para baixo.

Aos dois anos de idade, Carly foi diagnosticada com autismo. Seus pais ouviram dos médicos que ela jamais ultrapassaria a capacidade mental de uma criança de seis anos e jamais se comunicaria com eles. E parecia que isso era verdade…até que ela fez onze anos.

Em certa ocasião, para a surpresa de sua família, Carly se dirigiu ao computador e digitou, letra por letra, as palavras “HURT HELP“, que formam as palágras “dor/dói” e “ajuda”. Logo em seguida, ela vomitou atrás do sofá. Detalhe: ela não havia sido ensinada a escrever. Pela primeira vez, a menina estava se comunicando com o mundo exterior.

A inesperada atitude gerou alvoroço na família, que jamais esperava que sua filha, com autismo severo não-verbal, pudesse se comunicar. Ao ser levada para especialistas, para que vissem aquele comportamento inédito, inicialmente, nada aconteceu. Um tempo depois, Carly foi até o computador e digitou: “Eu tenho autismo, mas isso não é quem eu sou. Gaste um tempo para me conhecer antes de me julgar.” Os anos de terapia intensa diária pareciam estar surtindo efeito: Carly podia se comunicar.

A partir de então, sempre que quisesse alguma coisa, Carly teria que digitar para ter seu pedido atendido. No início não foi tão fácil, mas, alguns meses depois, a jovem estava se comunicando mais.

Descrição de imagem: Carly, de blusa rosa, sorri e tampa um dos ouvidos com o dedo indicador.

Além de TEA, Carly também tem TOC, um transtorno frequentemente associado ao autismo. A menina, que tem uma irmã gêmea sem autismo, explica seu comportamento: “Eu tenho lutas comigo todos os dias, desde que acordo até a hora de ir dormir. Não posso ir ao banheiro sem dizer a mim mesma para não pegar o sabonete e cheirá-lo ou sem lutar comigo mesma para não esvaziar todos os frascos de xampu.” Ao ser indagada sobre o por quê de balançar os braços violentamente, bater a cabeça nas coisas ou querer arrancar as roupas, ela explica que “se eu não fizer isso, parece que meu corpo vai explodir. Se eu pudesse parar, eu pararia, mas não tem como desligar. Eu sei o que é certo e errado, mas é como se eu estivesse travando uma luta contra o meu cérebro.” Além disso, ela explica que tapa os ouvidos e olhos para bloquear a entrada de informações em seu cérebro. É como se ela não tivesse controle e tivesse que bloquear o exterior para não ficar sobrecarregada.

Após tantas vitórias, Carly, juntamente a seu pai, escreveu um livro chamado Carly’s Voice – Breaking Through Autism e criou conta no Facebook e Twitter, além de um blog. O livro conta sobre a jornada da menina com autismo e sua história de superação em um mundo que nada espera de pessoas com autismo grave. Nas redes sociais e em seu blog, a menina tira dúvidas de pais de autistas e promove a conscientização sobre o autismo.

O sonho de Carly sempre foi ser apresentadora de um programa. Foi nesse intuito que ela criou o show Speechless with Carly Fleischmann, no qual ela faz perguntas para celebridades através da voz computadorizada de um tablet. A jovem autista de 24 anos já recebeu em seu programa convidados como Channing Tatum, James Van Der Beek, Beth Behrs, Grace Helbig e Whitney Cummins. Com muito humor, a canadense faz perguntas engraçadas e, por vezes, constrangedoras para seus entrevistados, provocando muita risada em seus telespectadores. O sucesso foi tamanho que até no The Late Show with Stephen Colbert, um famoso programa de TV americano, ela já apareceu.

Descrição de imagem: Carly e Channing Tatum, sentados à mesa, riem durante uma entrevista. Carly veste uma jaqueta preta e usa um tablet para se comunicar. Channing usa uma blusa de manga comprida bege.
Descrição de imagem: Carly, sentada em frente a um notebook, sorri enquanto tampa um dos ouvidos com o dedo.

Fontes:

https://socialgoodbrasil.org.br/2013/a-voz-de-carly

https://www.hypeness.com.br/2013/02/menina-revela-pela-primeira-vez-como-e-estar-por-tras-dos-olhos-de-um-autista/

Obrigada por ler a matéria! Ficaria muito grata se pudesse comentar e compartilhá-la em suas redes sociais para que mais pessoas possam ter conhecimento sobre autismo! Não se esqueça de curtir minha página no Facebook: A Menina Neurodiversa! Até mais e tchau tchau!