Diagnóstico de autismo vai mudar a partir de 2022. Entenda.

Descrição de imagem: médica sentada no consultório de frente para uma criança, que também está sentada e olha para baixo. A médica segura as mãos da criança.

No Brasil, atualmente, utilizamos o CID-10 para categorizar as diferentes condições médicas. CID significa Código Internacional da Doença, mas não se deixe enganar pelo nome. Mesmo condições que não caracterizam doenças, como a gravidez e o próprio autismo, fazem parte desse manual diagnóstico. Desde 1989, quando foi aprovado o CID-10, o autismo foi catalogado dentro de um grupo mais abrangente denominado Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGDs). Dele faziam parte condições como Autismo Infantil, Síndrome de Asperger, Síndrome de Rett e Autismo Atípico. O que ocorre é que uma nova versão do CID foi lançada em 18 de Junho de 2018: o CID-11. Essa atualização passará a valer a partir de Janeiro de 2022. Dessa forma, hoje vamos entender melhor sobre o que vai mudar no diagnóstico de autismo a partir dessa data.

É sabido que, desde 2013, em países que não utilizam o CID, mas sim o DSM (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), como os EUA, todos os subtipos de autismo já são caracterizados em um único diagnóstico: TEA (Transtorno do Espectro Autista). Essa mudança ainda não chegou ao Brasil. O manual que usamos ainda não reconhece essa nova categoria. Em sua última versão, o DSM-5 já engloba todas as manifestações de autismo dentro do TEA, dividindo-o em três graus: leve, moderado e severo. A diferença entre cada um deles baseia-se na necessidade de apoio que o indivíduo necessita em sua vida diária. Em contrapartida, o nosso CID-10 ainda divide os TGDs entre as seguintes nomenclaturas e seus respectivos códigos: Autismo Infantil (F84.0), Autismo Atípico (F84.1), Síndrome de Rett (F84.2), Outro Transtorno Desintegrativo da Infância (F84.3), Transtorno com Hipercinesia Associada a Retardo Mental e a Movimentos Estereotipados (F84.4), Síndrome de Asperger (F84.5), Outros Transtornos Globais do Desenvolvimento (F84.8) e Transtornos Globais Não Especificados do Desenvolvimento (F84.9). A partir de 2022, nem os nomes nem os códigos serão mais os mesmos. Veja abaixo a mudança que ocorrerá:

Descrição de imagem: do lado esquerdo, CID-10 e, abaixo disso, os nomes de diagnósticos e seus códigos (F84 – Transtornos Globais do Desenvolvimento, F84.0 Autismo Infantil, F84.1, Autismo Atípico, F84.2 Síndrome de Rett, F84.3 Outro Transtorno Desintegrativo da Infância, F84.4 Transtorno com Hipercinesia Associada a Retardo Mental e a Movimentos Estereotipados, F84.5 Síndrome de Asperger, F84.8 Outros Transtornos Globais do Desenvolvimento, F84.9 Transtornos Globais Não Especificados do Desenvolvimento). Uma seta vai desse conjunto até o conjunto do lado direito, no qual, em cima, está escrito CID-11. Em baixo de CID-11: 6A02 TEA sem DI e com leve ou nenhum prejuízo de linguagem funcional. 6A02.1 TEA com DI e com leve ou nenhum prejuízo de linguagem funcional, 6A02.2 TEA sem DI e com prejuízo de linguagem funcional, 6A02.3 TEA com DI e com prejuízo de linguagem funcional, 6A02.4 TEA sem DI e com ausência de linguagem funcional, 6A02.5 TEA com DI e com ausência de linguagem funcional, 6A02.Y Outro Transtorno do espectro do autismo especificado, 6A02.Z Transtorno do espectro do autismo, não especificado. Embaixo dos dois conjuntos: Autismo Classificação, o símbolo da página Asperger e Autismo no Brasil e as legendas TEA Transtorno do Espectro do Autismo e DI Deficiência Intelectual.

Como podem ver, no CID-11, o diagnóstico será feito a partir da linguagem funcional e se há ou não Deficiência Intelectual associada. Desse modo, o que hoje é conhecido como Síndrome de Asperger, com o código F84.5, passará a ser TEA sem DI e com leve ou nenhum prejuízo de linguagem funcional, com o código 6A02.0, por exemplo. Todas as manifestações de autismo serão oficialmente chamades de Trantorno do Espectro do Autismo.

Muitos autistas consideram essa mudança extremamente benéfica e necessária para a comunidade. Isso porque, quando se tem o diagnóstico de Asperger, por exemplo, muitos direitos são negados sob a alegação de que não é autismo, ou que a pessoa não é autista o suficiente para precisar de certos direitos. Isso, felizmente, irá mudar em breve. Seremos todos devidamente reconhecidos como autistas. Há, ainda, os que veem a nova classificação do CID-11 como superior à do DSM-5, pois a divisão em graus de autismo pode dar a entender que o autista leve é pouco autista, o moderado é mais ou menos autista, e que o autista severo é muito autista. A partir dessa visão, os leves não teriam suas dificuldades reconhecidas, ao passo que os severos não teriam suas habilidades reconhecidas, pois só seriam vistos os pontos de dificuldade. Poucos são os que entendem os graus simplesmente como uma variação da necessidade de apoio, o que se mostra problemático.

Em suma, podemos afirmar que, com essa mudança que está por vir, ninguém mais poderá ser diagnosticado oficialmente com Síndrome de Asperger ou Autismo Atípico, por exemplo. Todos os autistas estarão dentro do TEA, assim como já ocorre nos países que utilizam o DSM-5 para o diagnóstico de condições mentais. Essa mudança se mostra positiva, uma vez que busca se atualizar e tornar o diagnóstico de autismo menos confuso e discrepante entre os diferentes profissionais de saúde mental.

E você? O que achou da mudança? Deixe sua opinião nos comentários! Não esqueça de curtir nossa página no Facebook: A Menina Neurodiversa e nos seguir no Instagram: @a_menina_neurodiversa. Até a próxima e tchau tchau!

6 comentários sobre “Diagnóstico de autismo vai mudar a partir de 2022. Entenda.

  1. Marta Oliveira 2 de novembro de 2019 / 17:52

    Amém, Alice. Tem muita coisa errada e falo isso sem querer ser superior aos estudioso da área.

    Curtido por 1 pessoa

  2. Cristiane 2 de novembro de 2019 / 18:43

    Como faço para deixar de seguir essa página? Por gentileza, exclua meu email do cadastro para que eu não receba mais atualizações… Obrigada!

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    • alimcs 2 de novembro de 2019 / 19:08

      Não é algo que eu possa fazer. Procure na parte direita do site.

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  3. Nana Cardoso 2 de novembro de 2019 / 22:18

    Foi a melhor explicação que já vi… você conseguiu fazer eu entender algo que estou tentando entender já há algum tempo…

    Você é show!!!

    Curtido por 1 pessoa

    • alimcs 2 de novembro de 2019 / 22:24

      Ebaa! Fiquei muito feliz com seu comentário!! 😍

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  4. Renato Cardoso de Oliveira 3 de novembro de 2019 / 21:32

    Certamente muito benéfico aqui na minha cidade já viramos foi fórmula de isotônico
    Ei quantos por cento tu é autista?
    Eu falei 100%
    E outro falou que não pois tu faz tudo
    Olha eu sempre digo autista e autista
    Não importa como seja sempre vai ser 100% autista

    Curtido por 2 pessoas

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