Autistas não têm empatia?

Descrição de imagem: uma bonequinho com um emaranhado de linha dentro da cabeça olhando para outro bonequinho com um coração dentro da cabeça. A linha do primeiro bonequinho está ligada ao coração do segundo.

Em muitos textos sobre autismo que se encontram por aí, inclusive artigos acadêmicos, é dito que pessoas autistas não conseguem ter empatia pelos outros ou até que possuem ausência de empatia. Como autista, posso dizer que isso é a mais pura balela. É uma afirmação que tenta nos limitar e nos desumanizar. Cada autista, assim como cada pessoa, é diferente. Uns vão ser mais empáticos que os outros, assim como acontece com pessoas não-autistas. Hoje, vou explicar um pouco mais sobre autismo e a questão da empatia!

Quando falamos de empatia, pensamos na capacidade de se colocar no lugar do outro. É aí que surge a ideia de que autistas não têm empatia, pois uma característica do autismo é a dificuldade com a teoria da mente. Mas o que é essa tal de teoria da mente? Ora, esse conceito representa a capacidade de atribuir e representar estados mentais em nós mesmos e nos outros, percebendo que as outras pessoas possuem crenças, desejos e intenções que são diferentes das nossas. É entender o que se passa na mente do outro, que nossas experiências são diferentes, pois somos pessoas diferentes. Acontece que empatia não é apenas isso.

São três os tipos de empatia: a empatia cognitiva, emocional e a empatia compassiva. A primeira representa a compreensão de como o outro vê o mundo, de entender o que ele sente. A segunda significa poder sentir o que a outra pessoa está sentindo, se colocando no lugar dela. A última, também chamada de empatia solidária, quer dizer que, além de entendermos a situação da pessoa, nos sentimos solidários com ela, impelidos a ajudá-la. A empatia prejudicada no autismo é justamente a cognitiva, o que, como podemos ver, não significa que não podemos sentir dor pela dor alheia ou felicidade pela felicidade dos nossos amados, assim como não quer dizer que não nos sentimos alheios a quem está precisando de ajuda!

É justamente pela dificuldade de compreender a linguagem não-verbal, como expressões faciais, gestos, tom de voz etc, que nós temos dificuldade de entender as emoções de outra pessoa, se perceber que ela está triste só de olhar para ela, por exemplo. Além disso, por termos uma teoria da mente prejudicada, também temos dificuldade em perceber o que as outras pessoas estão vendo, pensando, sentindo etc. Teoria da mente é assunto para outra matéria, mas é algo de não posso deixar de falar ao abordar a questão da empatia.

Para mim, assim como para muitos autistas, é muito difícil perceber os sentimentos das outras pessoas sem que elas me contem. Por conta disso, sempre deixe claro para o seu autista o que você está sentindo, achando, pensando em relação às coisas que acontecem. Eu costumo perceber que uma pessoa está triste só se ela estiver com o rosto inchado e os olhos marejados, por exemplo. E, mesmo assim, posso não entender o motivo do choro. Tudo deve ser bem explicado para o autista e da forma mais concreta possível. Apesar dessa dificuldade, eu não deixo de ficar feliz pelas conquistas dos meus amigos, de ficar triste ou apreensiva quando alguém está passando por uma situação difícil ou de me sentir ansiosa e com medo quando vejo outra pessoa em perigo! A partir do momento em que consigo entender o que se passa na cabeça da outra pessoa, posso me conectar melhor com ela e sentir empatia.

Posso não reagir da forma mais apropriada e emotiva possível para a situação, mas é só porque não sou boa em demonstrar minhas emoções ou me adequar aos diferentes cenários. Quando quero demonstrar carinho por alguém de fora da minha casa, tenho problemas para expressar isso verbalmente para a pessoa. Por isso, eu gosto de fazer desenhos e dar de presente para quem eu quero demonstrar gratidão ou carinho. É a forma que eu encontrei para me conectar e demonstrar a empatia que eu sinto. Também tenho muita dificuldade de consolar pessoas, pois isso envolve muitos conhecimentos sobre emoções, então eu costumo dar tapinhas nas costas ou na cabeça ou simplesmente me fazer disponível para esse alguém necessitado, oferecendo minha atenção e meu abraço.

Depois de ler esta matéria, espero que você nunca mais leia um texto e acredite nele quando disser que autistas não têm empatia. Nós temos empatia sim. Inclusive, muitos de nós possuem mais empatia que a maioria das pessoas por aí. Eu me considero uma pessoa empática, assim como já presenciei empatia vinda de muitos outros autistas. Só porque uma pessoa não consegue compreender como a outra está se sentindo, não quer dizer que, ao descobrir, ela não possa sentir junto e querer ajudar. Isso é um mito. Um mito terrível que apenas limita nossa capacidade.

Espero que tenha gostado do meu texto! Não esqueça de comentar o que achou e curtir a página do Facebook A Menina Neurodiversa. Nos vemos por lá! Até a próxima e tchau tchau!

3 comentários sobre “Autistas não têm empatia?

  1. Rosita Coimbra 14 de junho de 2019 / 02:12

    Lindo texto, parabéns Alice. Beijos

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  2. Rosita Coimbra 14 de junho de 2019 / 02:12

    Lindo texto, parabéns Alice. Beijos

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