Autismo e preferência

Descrição de imagem: placa de atendimento preferencial com desenhos de idoso, grávida, mulher com criança de colo, deficiente físico e a fita de quebra-cabeças, que representa o autismo.

Quando vamos ao mercado ou estamos em um ônibus, percebemos lugares preferenciais, seja para atendimento no caixa ou para sentar. Esses lugares são, de preferência, para pessoas idosas, grávidas, com crianças de colo, deficientes físicas e…autistas! Isso mesmo! Por diversas razões, nós temos esse direito também. Apesar disso, existe um problema: autismo não tem cara. Como então as pessoas vão saber que a pessoa usufruindo desse direito, que parece tão igual às outras na aparência, é autista?

Muitos problemas podem ocorrer em decorrência da falta de informação sobre o autismo. Entre eles, podemos citar as pessoas ao redor achando que os pais com seu filho ou que a própria pessoa adulta que está na fila ou no assento preferencial está agindo de forma abusada e mal intencionada. Como não existem traços físicos que indiquem que a pessoa é autista, podemos sofrer com maus olhares e comentários negativos ou, pior, podem reclamar conosco e pedirem que nos retiremos do nosso lugar. Isso pode se tornar uma discussão e provocar uma crise no autista. Mesmo que não cause tudo isso, pelo menos tristeza e frustração pode causar.

Poucas foram as vezes em que sentei no banco preferencial do ônibus. O único motivo pelo qual já utilizei esse assento é o de não ter outros lugares disponíveis. Assim que aparece alguém que visivelmente tem direito a sentar ali, eu cedo meu lugar. Isso não é um problema. Ficar em pé em si não é o problema. O pior mesmo é se o ônibus estiver lotado. Estar no meio de muitas pessoas em um lugar apertado pode ser torturante para um autista. Os toques excessivos, o barulho, o desconforto com a situação…tudo isso nos causa sofrimento. Por esse e outros motivos que nós temos direito a sentar no ônibus. Sem falar que muitos autistas têm problema com equilíbrio! Mesmo assim, não consigo deixar de me sentir culpada por estar nesse lugar, com medo de ser julgada por pessoas que nem desconfiam do meu autismo. É um sentimento terrível de culpa misturada com medo. Sei que não deveria ser assim, mas não sinto a menor disposição de ter que passar por uma situação em que questionam se eu deveria estar mesmo ali e eu ter que explicar. Fico receosa de não acreditarem em mim e discutirem comigo. Sensível como sou, eu cairia no choro.

Agora, quanto à fila preferencial, ainda não me aventurei. Não ando pela rua com meu laudo médico para poder provar minha condição de autista caso haja algum problema. No dia em que eu tiver uma carteirinha de identificação de pessoa autista, vou carregá-la comigo para todos os lugares e fazer valer o meu direito de ter atendimento prioritário. Acontece que, para nós autistas, esperar em uma fila é mais difícil. E não é só a espera! É a espera em um lugar cheio de estímulos: as luzes do teto, o barulho, os cheiros…tudo isso pode nos sobrecarregar e fazer com que queiramos deixar o local o mais rápido possível. Por isso, utilizar a fila preferencial pode ser crucial para o nosso bem-estar. Pode ser aquilo que vai impedir que uma simples ida ao mercado estrague completamente nosso dia ou até nossa semana.

Dessa forma, sempre que você vir o laço de quebra-cabeças em uma placa no caixa do mercado ou na parede do ônibus, saiba que autistas têm preferência nesses lugares. Muitos locais ainda não tem o símbolo que representa o autismo, mas em breve cada vez mais terão para que fique claro que o direito do autista deve ser respeitado. Lembre-se de nunca abordar uma pessoa que está no lugar preferencial como se fosse brigar com ela. Existe a possibilidade de essa pessoa ser autista. É sempre melhor você perguntar amigavelmente se a pessoa tem preferência. Pode sim ser que seja alguém abusado, mas nunca assuma o pior de uma pessoa sem antes entendê-la pelo menos um pouco.

Espero que tenha gostado da minha matéria! Não esqueça de curtir minha página no Facebook: A Menina Neurodiversa e comentar aqui embaixo o que achou! Você já passou por uma situação chata quanto à preferência do autista? Conte pra mim!

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