A dor da solidão: um pedido de socorro

Quero falar sobre a dor que se sente e não se pode ver. Trancada no meu quarto escuro, a solidão me consome. Às vezes, só falta um abraço e alguém para ouvir. Até isso a solidão extingue. Até quando não estou sozinha, me sinto solitária. Tento me distrair, mas a ansiedade me domina. Nem produtividade, nem diversão. Só o tédio da solidão. O tédio de não conseguir concentrar-se em nada. O medo do dia de amanhã. De todo o barulho que vou enfrentar. A espera na fila, que me leva aos prantos. O ônibus que me faz querer gritar. Me faz querer fugir. Não me deixa nem pensar. Chegar em casa e ir trancar-se no quarto. Mais um dia desprovido de cor. Mais um dia cheio de dor. “Não preciso de cura”, diz a menina. Mas acho que hoje eu preciso sim. Queria experimentar o que é não chorar todos os dias porque se tem medo do amanhã. Do que pode mudar sem aviso. A quinta-feira que não chega nunca. A meia hora que passa tão rápido. As palavras que não conseguem ser ditas. Os sentimentos que não se reconhecem. O verbal não-comunicativo. O comunicativo solitário. A saudade de quando tudo era brincadeira, e a dor era só a do joelho ralado. A dor adulta que é só mais uma na multidão. Só de crianças se cuida. Enquanto o adulto definha nas lágrimas da solidão, que me faz tão sozinha.

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