Autismo: meu mundo interno de fantasia

Descrição de imagem: em fundo preto, contorno de uma cabeça e pescoço e várias fumaças coloridas dentro.

Não sei se é assim com todo mundo, mas tenho meu próprio mundinho particular dentro da minha mente. Acho que é comum no autismo as pessoas terem uma forma de escape dentro de si. Por exemplo, vi, certa vez, uma entrevista com um homem com Asperger que disse que tinha seu próprio mundo interno de fantasia, em que ele havia criado seu próprio país e pensado em todo o seu sistema econômico e detalhes que norteiam essa realidade. Achei bem interessante. Foi aí que me dei conta que isso pode ser algo relacionado ao autismo. Lembro que o moço disse que gosta de passar um tempo nesse mundo quando dá vontade. Isso dito, vou falar do meu próprio mundo interno de fantasia.

Quando eu era criança, eu era fissurada por desenhos animados. Em todo desenho de que eu gostava, tinha uma personagem que era minha preferida. Os episódios que eu mais sentia ansiedade para assistir eram os que tinham foco nessas personagens de que eu gostava. Eu ficava assistindo às cenas com a maior atenção, e, depois que aprendi a usar a internet, gostava de procurar esses episódios ou só as cenas para ver e ficava repetindo. O que isso tem a ver com meu mundo interno de fantasia? Ora, tudo! Todo dia, antes de dormir, eu gostava de recapitular as minhas cenas preferidas com as personagens de que eu mais gostava. Eu repassava essas cenas na mente várias vezes. Lembro de demorar para escolher uma personagem para passar o resto do meu tempo acordada pensando nela, que nem as pessoas escolhendo filme no catálogo da Netflix. Depois que escolhia a personagem, eu tinha duas opções: 1) rever minhas cenas preferidas na mente; 2) criar a minha cena ideal, sempre com enfoque naquela personagem. Era assim até eu cair no sono. Eu levava um tempão para dormir porque a chegada da noite era o momento em que eu sabia que ia ter aquele tempo tão precioso comigo mesma. Era o momento em que minha mente iria me entreter até eu apagar. Eu gastava o maior tempão somente em uma cena porque eu precisava pensar em um detalhe por vez, como o movimento, ou o rosto, ou as roupas. Minha ambição sempre era prosseguir com a cena, mas nunca acontecia. Eu ficava presa assistindo sempre à mesma várias e várias vezes. As noites eram bem agitadas.

Hoje em dia, não é bem assim. Eu ainda vejo desenho, mas muito menos. Sequer vejo mais televisão. Tudo ao que assisto é pelo computador. Dessa forma, porque eu não vejo mais tantos desenhos, minhas cenas preferidas são as da vida real, com pessoas reais. Eu gosto de rever e criar cenas com pessoas que eu conheço ou já vi. Por exemplo, um dos assuntos de que gosto é o Disney on Ice. Eu sei o nome de vários dos patinadores e conheço um pouco sobre eles. Já aconteceu de eu me imaginar com eles rindo e me divertindo. Por ser uma cena ideal para mim, com personagens de que gosto e sobre um assunto legal, isso me causa muita animação. Se eu me imagino rindo na cena, é capaz de eu acabar rindo na vida real, e isso pode acontecer em um momento bem aleatório. Normalmente os meus momentos de navegar pelo meu mundo interno acontecem quando eu estou sozinha, o que não causa problemas. Pode acontecer de eu ficar tão agitada de animação que eu levanto subitamente da cadeira e começo a correr ou pular, me agitando e rindo. Não apenas com os assuntos de que gosto, mas também é possível eu me animar com a lembrança de algo que realmente aconteceu comigo, ou de eu criar cenas que eu gostaria que acontecessem, com a participação de pessoas do meu convívio. Curiosamente, nem todas as cenas são felizes. Já aconteceu diversas vezes de eu me imaginar tendo uma crise na qual eu me agrido. Da última vez que isso aconteceu, eu levantei da cadeira para correr e pular, mas, ao invés de rir, eu me soquei. Parece que eu me perco no que não é real por um segundo e acabo transferindo a cena mental para a realidade. É estranho.

Bem, acho que é isso. É a primeira vez em toda a minha vida que compartilho isso. Até hoje, somente eu sabia dessa minha característica. Meus pais já sabiam que eu corria e pulava, pois não é fácil de se esconder, visto que nossa casa é pequena. Mas eles nunca souberam o que acontecia para engatilhar essa reação. Acho que ninguém nunca soube. Tenho curiosidade de saber se isso acontece com mais alguém, pois me sinto muito estranha sendo assim. Correr dentro de casa por causa de um pensamento muito animador acontece desde que eu me lembro. Agora que estou tomando um outro remédio para ansiedade, não tenho corrido mais, mas ainda pulo, me agito etc. Normalmente eu não gosto de ser interrompida quando estou no meu mundo interno de fantasia. Eu gosto de ficar lá o tempo que eu quiser, mas, como isso me faz ficar muito agitada, eu tento evitar hoje em dia, pois já sou uma adulta. É muito mais normal ver uma criança correndo e rindo sozinha do que uma adulta, certo? 😛

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