Entrevista com o autista e youtuber IndieAndy

Descrição de imagem: Andy de perfil e em um fundo azul olha para a câmera sem sorrir e usa um moletom preto e azul, com a palavra “spectrum” colorida no meio.

Olá, pessoal! Dessa vez, conversei com o youtuber IndieAndy, que está dentro do espectro do autismo e produz conteúdo focado em seu diagnóstico. Andy mora no Reino Unido com sua noiva e tem grande gosto pelo que faz. Fiz 10 perguntas para ele. Acompanhe!

Alice: Oi, Andy! Você pode falar um pouco sobre o seu diagnóstico? Quando, como e que tipo (de autismo) foi?

Andy: Eu fui diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista em 1996 depois que meus pais perceberam que eu não estava atingindo os marcos de desenvolvimento quando eu tinha 2-3 anos de idade. A partir disso, fui levado para o meu médico e então indicado para um especialista, que me diagnosticou. Eu não lembro como aconteceu por causa da minha idade, mas parece que (o diagnóstico) não foi marcado por excitação ou drama, o que é bom porque eu não tenho tempo para isso. (Andy esqueceu de responder com que tipo de autismo ele foi diagnosticado, mas foi com Transtorno Invasivo do Desenvolvimento – Sem Outra Especificação)

Alice: Quando você descobriu sobre o seu diagnóstico?

Andy: Eu descobri sobre o meu diagnóstico quando eu tinha 10-11 anos, depois que comecei a perceber que eu era diferente dos meus colegas. Eu notei isso sobretudo pelos olhares estranhos dos meus colegas e as conversas com as pessoas simplesmente não iam do jeito que eu queria que fossem. E também o sentimento de ser bem alienígena, eu acho. Com esses sentimentos em mente, eu falei com minha mãe sobre como eu estava me sentindo e ela revelou meu diagnóstico. A princípio e por vários anos, eu não conseguia me aceitar. Eu conseguia aceitar o fato de que eu era diferente, mas é meio difícil colocar na minha cabeça por que eu tinha que ser (diferente). Mas foi na idade adulta que eu realmente comecei a perceber que as minhas diferenças me tornam a pessoa que eu sou. O autismo não me define, mas é algo que eu estimo.

Alice: O que a palavra “autismo” significa para você?

Andy: Autismo, pessoalmente, significa que eu tenho uma forma diferente de ver, sentir as coisas, e apenas diferente de forma geral. Mas essas diferenças estão à parte da minha pessoa e isso é algo que eu gosto em mim. Por anos, eu tentei me encaixar e, honestamente, isso me fez extremamente infeliz. Foi quando eu encontrei a comunidade autista que eu percebi que eu não deveria tentar me encaixar. Eu deveria ser capaz de me posicionar e apenas ser eu mesmo. Ter essa forma de pensar ajudou no meu bem-estar e meus pensamentos sobre meu autismo como um todo.

Alice: O que você mais gosta sobre ser autista? Pode me contar sobre suas características preferidas?

Andy: Minha parte preferida de ser autista é a minha curiosidade pelas coisas, situações, pessoas e a vida em geral. Eu tendo a fazer um monte de perguntas sobre diferentes coisas. Isso é sobretudo para eu entender o que eu estou vendo ou o que está acontecendo. Mas isso me ajudou muito a crescer na minha carreira, no Youtube e também na minha vida pessoal porque eu fico obcecado e faço perguntas. Outras características preferidas incluem o modo como eu me comunico, minha criatividade e honestidade.

Alice: Qual a parte mais difícil de ser autista? Pode me contar sobre suas características menos preferidas?

Andy: Eu diria que uma parte difícil são as situações sociais. Agora eu gosto de algumas ocasiões sociais em que eu consigo interagir e seguir adiante. Mas quando é um evento ou situação social em que eu não conheço muitas das pessoas que vão ou ao qual eu nunca fui ou não sei o que esperar, isso me faz sentir bem ansioso e eu me sinto isolado. Até quando estou com alguém pode ter esse isolamento, então eu fico sem saber o que fazer ou como me livrar daquela situação ou dos pensamentos. Mesmo gostando de ver os pontos positivos do meu autismo, há momentos em que eu tenho dificuldades e é uma realidade que eu vivo diariamente, assim como outras pessoas autistas também fazem. Diria que outras das minhas características menos favoritas incluem minha natureza obsessiva, que pode levar ao vício. Quando eu fico aficionado por alguma coisa, fica difícil mudar de atividade ou não ser obsessivo.

Alice: O que as pessoas nunca devem dizer para uma pessoa autista?

Andy: Tem uma lista de exemplos nos quais consigo pensar, mas você pode encontrar essa lista no meu canal, pois falo sobre isso lá. Por exemplo, só para essa pergunta, é que “autistas dizem que são autistas porque não querem trabalhar”. Eu recebi esse comentário em um dos meus vídeos recentemente. Isso é bem raro de acontecer nessa comunidade, mas é algo de que vale a pena falar para esta entrevista. Só porque eu não “pareço autista” ou não “soo autista” não significa que eu não seja autista. E também a ideia de que eu quero conseguir benefícios pelo meu autismo porque eu não quero trabalhar não faz nenhum sentido e não é factual. Eu trabalho em período integral em um escritório, e as pessoas autistas querem sim trabalhar. O problema é que há barreiras para conseguir emprego para pessoas autistas, como entrevistas etc. Menos de 20% dos autistas do Reino Unido têm um emprego de período integral, o que é um número alarmante. Sinceramente, não assuma coisas sobre pessoas autistas baseando-se no que você pode ver porque tem sempre muito mais em alguém do que apenas o que está na sua frente.

Alice: Quais são as diferenças entre ser uma criança autista e um adulto autista?

Andy: Eu não diria que tinha uma diferença, já que as crianças crescem e viram adultos, e nós continuamos autistas. Só estou dizendo que, só para esclarecer, ninguém cresce e deixa de ser autista. Eu diria que a diferença entre os dois são realmente as experiências que você tem e como você lida com as coisas, e eu sinto, honestamente, que a percepção das outras pessoas muda. Se você olha para uma criança autista, se ela estiver tendo dificuldade com alguma coisa, você faz o seu melhor para ajudá-la. Mas se os papeis se invertem e for um adulto, os outros podem dar olhares ou fazer comentários maldosos. Esse é um dos principais motivos pelos quais eu continuo fazendo conteúdo sobre autismo. Eu quero que as pessoas vejam que existem adultos autistas por aí que podem ter seus próprios desafios. Não apenas promover a conscientização, mas também começar o curso da aceitação para todos os indivíduos autistas independentemente de idade etc.

Alice: Você tem uma noiva. Pode me contar sobre como é ter um relacionamento amoroso estando no espectro? De que forma é diferente dos outros relacionamentos?

Andy: Ter a minha noiva é realmente maravilhoso. Ela me faz feliz e é bom ter alguém que é sua melhor amiga e alma gêmea, de verdade. Pode ser difícil com problemas de comunicação e situações que surgem podem ser desafiadoras para o nosso relacionamento. Mas eu a amo muito e mal posso esperar para pôr um anel no dedo dela. Eu acho que a principal diferença é que o nível de intimidade entre mim e minha noiva é muito mais pessoal do que em qualquer outro relacionamento que eu tenho. (Andy não entendeu que eu quis dizer diferente dos relacionamentos de outras pessoas sem autismo, mas tá bom)

Alice: Por que e como você começou um canal no YouTube?

Andy: Eu comecei o IndieAndy em 2016 para mim mesmo. Eu queria me desafiar a fazer algo diferente. Parecia bem divertido, então esse foi um outro fator que me levou a criar o canal do YouTube. Eu estava meio que em uma situação difícil na época, pois estava desempregado havia vários meses e procurava constantemente por trabalho. Então, para mim, o IndieAndy se tornou uma saída criativa. Eu não comecei a falar sobre o meu autismo até Novembro de 2016, e isso foi lentamente se tornando o principal assunto pelo qual eu fiquei conhecido. Fico feliz por isso porque comecei o canal para me ajudar. Agora, eu posso tentar ajudar outras pessoas compartilhando minhas experiências. Não tem nada mais recompensador do que isso.

Alice: Pode dar algum conselho para pais de crianças autistas?

Andy: Eu mesmo não sou um pai, então é meio difícil dar conselhos significativos sobre o lado da parentalidade. Eu diria que a única coisa que posso dizer é para continuar seguindo em frente. Vai haver dias em que é difícil e pode ser desafiador. Quando criança, eu era um pouco descontrolado. Mas apenas lembre-se que as coisas ficam melhores com o tempo necessário, persistência e tendo o apoio adequado.

Essa foi a entrevista com o querido IndieAndy! Deixe nos comentários a sua dúvida ou sua parte favorita da entrevista! Não se esqueça de seguir a página no facebook: A Menina Neurodiversa, curtir, comentar e compartilhar com seus amigos! Vamos levar mais informação sobre o autismo para as pessoas e fazê-las se sentirem menos sozinhas. Esse é o meu objetivo com este site 🙂 Obs.: traduzir tudo isso do inglês foi difícil para um caramba, então seja solidário com a coleguinha e divulgue o meu trabalho! 😉

Link do canal do Andy:
https://www.youtube.com/channel/UCR-fiMOz0Ot2x3bwA-_mS0A

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